sexta-feira, 19 de abril de 2019


A mulher

Era, um daqueles dias de inverno, onde as nuvens rasgam o céu, e muito de vez em quando deixam espreitar um sol triste e discreto, àquela hora de fim de tarde, havia muita gente reunida na rua, todos estavam juntos, parados olhando a estrada, que apresentava um rasto de sangue, um rasto de sangue que manchava  o cimento....eu era pequena em relação as pessoas que ali se encontravam, tinha ido ali ter com a minha mãe, a minha mãe segurava-me a mão, acho que aquele gesto a fazia tranquila, sentia assim que a filha estava protegida e perto dela, perante aquele cenário deprimente....algumas pessoas choravam, principalmente as mulheres. As crianças como eu olhávamos umas para as outras...presenciando ainda ingenuamente, aquela realidade triste que as vezes a vida dá, e que nós crianças até aquele momento, ainda não tínhamos entendido o quanto de rude a vida pode ser...

Na estrada havia sangue, mas também havia uma moto,  lembro-me da mota, era  pequena e  cinzenta, estava espalhada na estrada ao lado de uma grande poça de sangue.....eu e a minha mãe , estávamos um pouco afastadas da multidão e também da estrada. Ao longe vi a figura de uma mulher, uma mulher que se destacava entre a multidão, destacava-se da multidão por ser mais alta, por ser mais bonita, e por estar mais triste que as outras mulheres. Não chorava ou se chorava, chorava baixo, o silencio dela era de dor....e olhava a estrada e olhava a moto espalhada na estrada ao lado da poça de sangue, lembro-me que essa mulher tinha um marido, tinha um marido e quatro filhos, estávamos nos anos sessenta, e ela chorava silenciosamente, chorava olhando a estrada, olhando o marido morto caído na estrada...

Passados muitos anos tive oportunidade de me encontrar com um dos filhos desta mulher, ele era um pouco mais novo que eu, e eu tive curiosidade em perguntar o que tinha acontecido à sua mãe aos seus irmãos, depois daquele dia do acidente. Os gémeos tinham quatro anos quando o pai faleceu no acidente, outra miúda seis, e outro rapaz sete, imaginava o quanto de difícil para aquela mulher deveria ter sido, viver, viver só para os filhos, viver só com os filhos. Nunca se voltou a casar, nem nunca mais viveu com ninguém, era  jovem e  muito bonita,  a imagem dela, ficou-me sempre na cabeça, e  lembro-me que das muitas outra vezes que a vi, sempre caminhava sozinha, sem parceiro, sem os filhos, sem uma amiga, ou sem uma vizinha, mas sempre bonita de alta postura, de olhar sério,  felino,  olhos grandes amendoados, quase esverdeados da cor das azeitonas, pele queimada, lábios cheios, uma verdadeira musa dos cinquenta, como num filme de Fellini...
Eu imaginava a quantidade de homens que a deviam ter desejado...não compreendia porque quisera viver sozinha...dois dos seus filhos, tinham sido almas confusas, almas anestesiadas...mortas na adolescência....

Quando fiz cinquenta anos, e estava de férias em Portugal, decidi ir visitar esta mulher. Ela não me conhecia, nem muito menos sabia quem eu era, mas eu conhecia-a e sabia quem ela era, queria saber o que tinha passado com esta pessoa, como tinha vivido, todos aqueles anos, o que faria agora? Ainda estaria viva, talvez não…eu sabia o prédio onde ela vivia, e calculava que se fora viva, muito provavelmente ainda lá morava, mas como não sabia o andar, toquei para uma vizinha, que muito alegremente me disse, que sim, que a senhora ainda vivia ali, e que ainda era viva, 
- É no 4 esquerdo....
 Informou-me a vizinha baixinha do rês do chão.

Quando toquei á campainha, a mulher do acidente na estrada abriu-me a porta...eu apresentei-me, pois tinha a certeza que a mulher iria pensar que eu era uma louca, e não iria perceber o porque da minha visita....

Na sua velhice de pessoa de quase oitenta anos, ainda se notava que  beleza e muita perfeição, por ali tinha passado, os olhos verdes, uma vez, grandes e amendoados (que eu nunca tinha visto de perto), olhavam para mim,  agora velhos e tristes, quase baços, mas ainda belos....a pele morena tinha desbotado, dando lugar a uma tez pálida acinzentada, como se a morte lentamente  se aproximasse, os lábios cheios na boca bem desenhada, ainda existiam-... agora mais finos e escondidos entre rugas e tracinhos....

Quando, me abriu a porta, e eu lhe contei a razão da minha presença, convidou-me a entrar, como se tivesse estado todo o tempo à minha espera, e em passos lentos conduziu-me a uma sala grande, escura e silenciosa, depois pediu-me para sentar. Ao redor na sala, as fotografias dos quatro filhos decoravam estantes e móveis…havia uma moldura mais pequena em tons de castanho escuro, num canto de uma estante do móvel da sala…na foto via-se uma noiva e um noivo, sorridentes, no dia do casamento….

A mulher, deve ter pensado que eu era uma pessoa estranha, o que estava a fazer ali, aquela mulher de cinquenta anos que em miúda a tinha visto chorar, um acidente de um homem jovem que morreu, uma mulher sozinha que chora, quatro filhos que ficam sem pai, uma mulher jovem, que ficou sem marido e quatro filhos sem pai, ...

Expliquei-lhe que eu era uma pessoa curiosa, que depois daquele dia do acidente na estrada, sempre pensei nela, e que nunca percebi, porque tinha decidido ficar sozinha...e eu estava ali para ela depois daqueles anos todo me explicar, o porquê da sua escolha...e como tinha sido viver aquela sua vida sozinha....

A sua voz era cheia e forte, a voz de uma pessoa que tinha vivido em silencio sozinha com a dor, e que agora falava, quando fala olhava-me intensamente nos olhos, e os olhos sorriam, sentia-se bem, estava contente por eu estar ali sentada ao seu lado, no sofá da sala ampla e silenciosa, sentada ao lado de uma mulher estranha, curiosa,  uma mulher de cinquenta anos que há muitos  anos a tinha visto ficar viúva e agora estava ali....preocupada, curiosa....querendo saber da sua vida, elogiando a sua beleza, afinal, ela não tinha passado despercebida, era mais importante do que ela própria pensava que seria ou que algum dia poderia ter sido...


Contou-me que a morte lhe levou o marido, e que com ele, foi se embora a felicidade, a dor permaneceu-lhe no coração muitos anos, e a saudade iria morrer com ela, os filhos foram folhas e flores que ela tentou cuidar…mas a tristeza da vida levou dois, os gémeos, almas fracas, perturbadas anestesiadas. 
Ela nunca casou, nem  nunca viveu com ninguém, prometeu nunca o fazer, fez promessas de ficar só…mas a quem o prometeu, nunca me o contou.






quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Aritz

São, cinco e trinta e sete da tarde....há seis dias que nao te vejo amor, foi tudo tão rápido, tudo se passou tão rápido, que nao tenho palavras para descrever o que sinto, quando fecho os olhos vejo a tua cara, penso como é que tu te estarás agora a sentir. amor?
A minha vida ficou mais vazia ...e sinto saudades do teu cheiro amor, e das tuas mãos grandes e fortes a agarrar as minhas, a falta de ver o teu sorriso faz-me chorar, e as lágrimas caem-me enquanto escrevo isto...fiquei sozinha outra vez, e tu estás aqui tão perto, mesmo aqui ao lado, e eu não posso dormir contigo esta noite na cama, amor...
Eu sei que chegava sempre tarde á cama, e tu queixavas- te disso, não estava habituada a dormir com ninguém, agora habituaste-me, amor, e tu foste-te embora....

Quero te ver amor, tenho um peso no coração e cada dia que passa é uma eternidade, só vejo a hora de te poder abraçar, quero sentir o teu cheiro outra vez, esfregar as mãos no teu cabelo e beijar- te os lábios... beijar.te eternamente, pensar que tudo foi um mau sonho, e que podemos estar juntos e ser livres outra vez amor....

Sete meses passaram, passaram rápido, passaram tão rápido, porque foi bom, tudo o que é bom passa rápido, e nós não nos damos conta disso...e vivemos os momentos bons, como se fossem banais,
Vem tocar á campainha amor, eu estou aqui em casa sozinha à tua espera, mas sei que não vais aparecer!
Nos éramos tão felizes amor, mas alguém nos roubou a felicidade...
Agora só nos resta esperar...  


domingo, 27 de maio de 2018

O Amante

No outro dia, olhastes de perto para mim e aproximastes-te, as nossas caras ficaram de perto, uma muito perto da outra, e nesta imobilidade de mim aquando de demasiada aproximação, deixei-me ir.....como se a vida fosse feita de pequenos estratos de filmes, e em que cada dia, eu sou um personagem diferente, depois veio o vazio, das coisas que fizemos e daquelas que ficaram por fazer, os juízes não estavam lá, então não tivemos ninguém a assistir....tudo dependia de nós, podia- te dizer que a nossa história acaba aqui, pois agora mesmo começou, gosto de acabar histórias que começam bem, porque tenho medo que acabem mal, assim posso fantasiar o futuro....e anasteciar-me no presente, a pensar que nada perdi...

Gosto de enganar- me a mim própria, mas eu não te amo, amor!, nem nunca te vou amar, mas gosto de ti! e não te vou contar isso....o meu amor, o meu coração já  pertence, a um outro que não compreende estas palavras....mas tu sim!

Desculpa, porque me enganei, mas queria antes ter bebido, um só café contigo, chorado no teu ombro e dizer que afinal, gostei da companhia, mas que tenho que me ir embora...já era tarde, a noite tinha caído, cai ás 22 horas, é assim no verão.....é quase sempre assim todos os verões, aqui no norte do mundo!

há coisas que não podemos explicar, mas quando as tuas mãos grandes, apertaram as minhas, eu senti- me segura, -" tenho as mãos grandes"....sussurrastes-me tu aos ouvidos, quase a pedir -me desculpa...mas eu gosto de mãos grandes, as mulheres gostam de homens de mãos grandes, as mulheres gostam de homens de mãos grandes porque gostam de se sentir seguras...contei.te!

Parecias satisfeito...com as palavras, mas entre nós quase nada ficou....talvez um brinco esquecido, entre montes de trapos, no meio do chão, um brinco aqui um relógio ali, vou perdendo pecas por onde apareço e desapareço.....pequenos fantasmas da minha pessoa, dispersos e deixados em quartos de amantes por amar....amo-vos a todos, mas desculpem, não vos posso amar mais.....nem estar com vocês, porque não tenho tempo!

Imagino-te, perto de mim, vamos de mãos dadas, as tuas mãos grandes, seguram as minhas mãos pequenas e delgadas...vamos pelo mundo, sem juízes, e com tempo, viajamos pelo mundo, e tu deste-me a tua manta, quando eu tive frio, ...comida na boca e eu senti-me protegida, como um pássaro pequeno de bico aberto no seu ninho....balançando-se fragilmente, sob o vento dos ramos das árvores.....

"Obrigado, por teres estado comigo"...disseste-me tu, e eu escutei, e eu escutei o doce das tuas palavras....e pensei nelas....

O outro, que já me levou, voei com ele, mas não sei de nada....não sei se tal como tu, também tem as mãos grandes.....assim tão grandes como as tuas....ou um olhar gélido, por vezes distante...
apaixono-me pela sua frieza, pela rigidez das suas frases, por lhe pertencer ás vezes....e por não me saber amar.......

Agora já não adianta, pois agora, já estou sentada no silêncio...


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Os Bichos....


Os Bichos

Há muitos, muitos anos atrás, os bichos queriam ser homens de barba rija e sexo duro, agora a coisa mudou, os bichos já não querem ser esses homens, o homem tornou-se num ser a quem o qual a mulher lhe roubou o papel de "homem"! antigamente o homem ia caçar e a mulher ficava em casa a cuidar das crias, á espera que o homem regressasse.... nos anos cinquenta, a mulher só tinha que ser gira, cuidar da casa e dos miúdos, víamos nos filmes americanos dos cinquenta, desses filmes feitos de cores vivas, onde o papel de parede da sala era sempre florido e em cores de azul marinho forte e com relevo, que a mulher nessa altura era feminina, feliz e bonita, podia ter seios grandes, ancas largas e as pernas rechonchudas, usava vestidos e meias de nylon e sapatos de salto alto, o homem nessa altura, era masculino e dentro da sua masculinidade e no seu papel de homem, uma das suas maiores preocupações era proteger a família. Hoje em dia, porem, a coisa infelizmente mudou, a mulher sai para o trabalho e o gajo fica em casa a depilar-se!
As mulheres dividem ou pagam quase todas as contas, e os gajos, esses "machos" ainda refilam se tiverem que dividir a conta do jantar, para o qual a mulher foi por eles convidada...resumindo, o homem mudou e bastante, nós mulheres parámos de mudar, simplesmente só ficamos mais inteligentes, astutas e independentes!

Na época Vitoriana, a mulher venceu no seu papel de mulher, quando começou a poder frequentar a escola e votar......nós as mulheres, fomos evoluindo devagarinho até chegarmos a este papel que desempenhamos hoje, mas continuamos a ser as "mesmas" mulheres.....O homem nascido entre os fins dos oitenta e os noventa, tornaram-se numas autênticas "vaginas", não só exteriormente mas também interiormente, infelizmente a "espécie homem" eu concluo está em vias de extinção, o homem dentro de trinta anos vai deixar de existir, em vez de um homem vão surgir umas Marias Madalenas, constipadas e muito sensíveis...de perninha depilada, sobrancelha arranjada e tórax bem polido.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

you have to face the book



you have to face the book...


A nossa vida virtual realmente dá trabalho, hoje em dia, quase todos nós vivemos duas vidas paralelas, ou seja; a vida real e a vida virtual, e temos que tomar bem conta das duas... e isso não é pera doce!
Desconfio que muitos de nós em aproximadamente dez anos, devido a viver e a tentar manter estes dois mundos paralelos ao mesmo tempo, poderá desenvolver qualquer diagnostico de esquizofrenia....

Um outro meu amigo do facebook, (quando postou as suas habilidades facultativas a escalar montanhas) ficou chateado comigo no outro dia, porque esqueci-me de lhe por um like, por outro lado a Anita, bloqueou-me no FB porque esqueci-me de lhe desejar os parabéns; quando a encontrei passado quatro dias depois, na pastelaria, disfarçou a coisa a oferecer me uma bica ranhosa e indiretamente falou.me do PC dela que anda com vírus, vírus esses que afasta pessoas e as bloqueia...hoje em dia falar dos nossos "devices" eletrónicos, é quase como falar de nós e das nossas relações afetuosas com os nossos ente queridos; ora vejam; "tá com vírus" "está sobrecarregado" "precisa de uma pausa"...
A maior vingança do ser humano, hoje em dia, é retirar, não adicionar, ou bloquear alguém no FB....

As nossas habilidades mais ou menos melhores são sempre no nosso mundo digital reveladas, mas se te esticas muito e até tens jeitinho para muitas coisinhas...uuuuiiii uma dor de cabeça para alguns, se és daqueles poucos modestos e um bocado frontais, escrevem e depois pensam... (tipo eu), levas com com pensamentos e bocas digitalmente indiretas, tipo: esta gaja tem a mania que é Chica esperta...

Os nossos amigos emoji, até ajudam a coisa, quando as palavras soam rudes e frontais, lá do outro lado do screm, disfarçamos a coisa com um smile....se queremos dar graxa a um amigo e tentar levantar- lhe a auto-estima ou o moral, espetamos-lhe com um emoji de admiração, nem que seja só porque o gajo postou uma foto dele próprio, numa viagem de burro, num itinerário reduzido, Alentejo-Lisboa...

A tua melhor amiga do FB cortou o cabelo e coitada infelizmente, ficou horrível, postas um coração, em sinal de solidariedade para com ela, afinal (os amigos são para o pior)....a outra tua amiga, sim..aquela gaja que nunca diz nada, mas tá sempre online...sim, aquela gaja que muito sinceramente tu  até estás a pensar eliminar....pois aceitaste o pedido de amizade, só porque era amiga de uma amiga, mas afinal essa amiga, tb não a conhece...e tu até já desconfias, sinceramente de ela ter qualquer coisa de suspeito,.... ora vejamos, está sempre online e escondida tipo submarino....não andará ela a te controlar, e foi mandada por alguém?...porque será que te fez um pedido de amizade e nunca te postou nem um like...lol, este tipo de situação, desconfio que futuramente tb poderá desenvolver diagnósticos de paranoia em certos indivíduos...

Nós, pessoas no geral, conclui através de alguns anos árduos no Face, que somos chatos, repetitivos e temos muitas manias, uns tem a mania da defesa de andar descalço, dizem sim aos pés sujos e descalços e não aos sapatos, dizem tb não ao gluten e defendem os caracóis as peles das ovelhas e as penas das galinhas..e tudo que tem a ver com o que é natural e biológico!

Outros, a coisa pode ser mais dramática, o mundo resume-se, simplesmente a compartilhar, posts assustadores e ameaçadores, prós amigos; "se voce não postar isto não cara, vai ter 20 ano de maldição" ou então, posts de vingança ao namorado, que se conclui, que se devem ter deixado há mais de dez anos, mas que ainda não engoliram todos os sapos, que deviam ter engolido, e que ela acha que ele ainda a persegue, através de outros perfis; a coisa revela-se assim:
"Se você está olhando para mim e está vendo que sou feliz cara, te digo que a inveja não é de gente boa não, mas de gente ruim sim..." 
Geralmente este tipo de posts, são: made in Brasil!

Depois tb temos aqueles pessoas, que tendem a ser, clássicas, gentis e amáveis e que todos os dias ou quase todos os dias...nos cumprimentam com um bom dia e um bom fim de semana! depois tb temos aqueles, (para mim são os mais insólitos), que nunca postam nada, só postam algo,  de ano a ano, quando realmente algo de muito grande mas muito grande lhes aconteceu, estilo;" tive 20 valores no exame final de curso" ou " a minha primeira viagem á lua" ou " arranjei trabalho na NASA, estou feliz!" 

Por ultimo e para não chatear mais ninguém; (pois já devem estar a ficar fartos da conversa), temos os  "forever in love" aqueles casais que se amam, desde que o FB apareceu. e que parece que nunca discutem ou discutiram e alias estão sempre de acordo em tudo, são os casais que eu designo por, os  casais gémeos! estes casais, estão em pares em tudo, incluindo na foto de perfil, e a única coisa que gostam de postar, é o amor entre eles, gostam bem de se certificar se o pessoal amigo do FB já se deu conta do grande amor existente entre ambos, por isso persistem, postar, todos ou quase todos os dias, as mesmas frases do costume, ás vezes saltitando pequenas diferenças, tipo assim;  ela; " eu amo você," ele: " eu amo você mais" ela: "meu amor tenho a certeza que eu amo ainda mais...", ele: minha querida, não tenha certeza não, porque a minha vida sem você não tem razão....

Depois também acho muito engraçado, aqueles que fazem, pedidos de amizade, e que vais ao perfil deles, para ver se realmente vale mesmo a pena aceitar o pedido de amizade, ou então simplesmente para te certificares, que tipo de pessoa é que é; e deparastes com três fotos de perfil, uma delas uma cadeira, a outra um barco, e a outra uma planta, o nome de perfil; Ad JIK, ora bem, ficas na duvida se é um  gajo ou uma gaja...os amigos, fez questão de os esconder, (pois,nunca se sabe não andam para aqui a tentar roubar-me os amigos), profissão, não existe e o que estudou tb não,  conclusão, resolvi, aceitar o pedido de amizade de uma planta chamada Ad JiK...que não tem amigos, nem profissão, não mora em lado nenhum do pais, mas que gostava muito, mas mesmo muito, de ser minha amiguinha(o) no face bocas...... :-)


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

o tio e a tia saloia

Depois de alguns anos a trabalhar com o AIRBNB cheguei agora á conclusão que até percebo de pessoas. Pela minha casa já passaram muitas pessoas, a maioria estudantes Erasmus, oriundos de todos os cantos do mundo, desde o Canadá á Austrália passando pela Ásia até á Europa.
Todos nós sabemos que as pessoas são diferentes umas das outras, mas quando originárias do mesmo pais existe sempre qualquer coisinha que as une, por exemplo aprendi que os chineses gostam de beber um copo de água quente logo quando acordam, acham que desta forma estarão mais preparados para o dia, as espanholas nunca saem de casa sem secar o cabelo com o secador, pelo menos durante uma hora e cantam enquanto se banham. Os canadianos e Australianos, gostam de festejar e beber, os Islávos são tímidos quase nervosos e muito educados e comem muitos ovos,  e os franceses nunca fecham a porta do quarto (coisa que não percebo porquê) e falam muito mal Inglês!

O "Tio" saloio francês, chegou a minha casa, eu gosto dos saloios, até são boas pessoas, costumam ser francos e não têm muitas papas na língua mas podem ser "perigosos" porque dizem quase sempre o que lhes vem á cabeça e nem sempre medem as palavras, mas  com "Tios" ou "Tias" saloias nunca tinha tido nenhuma relação próxima.

O "Tio" saloio que chegou á minha casa, vem de Bordeaux, de uma cidade qualquer da província, considera-se um ser superior muito inteligente, com a expressão altiva e azeda de quem acabou de engolir um limão, gosta de fazer perguntas ás quais sabe a resposta, mas fala sempre com o intuito de ridicularizar o individuo a quem está a questionar, faz, perguntas do tipo: "então vocês os portugueses quando saem do pais vão para aonde?" e eu a pensar: "coitadinhos de nós portugueses temos mesmo muita má fama em todo o lado mas muito mais em terras francesas, Ai que este gajo está me a irritar, e o "tio saloio" continua o dialogo, falando da famosa imigração portuguesa dos anos 60 que tanta boa fama de saloios nos deu,  e continua acrescentando ao seu dialogo "quase todos os portugueses em Franca são porteiros ou pedreiros" e eu respondo tentando ser civilizada mas já a morder o lábio de baixo com a raiva que sinto que está a enfestar-me o corpo e a alma e respondo: "mas já não é bem assim isso era outros tempos" o " tio" saloio continua o discurso no seu Inglês  muito fraco e duvidoso, acrescentando ao seu inquérito: " e sabes falar dinamarquês?" pergunto a mim mesma, como é que uma pessoa pode ser tão burra socialmente e tão ignorante, respondo-lhe com ares de quem  diz" por favor porque é que não te vais catar? mas o rapaz não percebe a minha expressão corporal, pois para alem de "tio saloio" também deve ser autista, respondo "então se vivo aqui há 27 anos e dou aulas de educação visual em escolas dinamarquesas, que língua achas que falo com os miúdos?"

A palavra "saloio" é uma palavra curiosa, surgiu quando os galegos foram para Lisboa vender couves, depois desse fenómeno social, todas as pessoas que nasceram, viveram e cresceram em Províncias sejam elas cidades ou aldeias, são denominadas com piada por "saloias"...

Os "tios" saloios e "tias" saloias são uma tribo que infelizmente não está em extinção, a tia saloia é estupidamente snob, finge gostar dos pobres e dos provincianos mas não gosta, é possuidora de uma extrema moralidade dupla e é pior que a "tia urbana", pois em zonas pequenas rurais ou semi-rurais, sente-se a rainha da festa e gosta de ridicularizar e desprezar os outros, sempre dona de um enorme mau gosto, pode ser morena de traços muito latinos quase árabes ás vezes, mas de madeixas loiras, óculos de máscara, e calcas á boca de sino, pode lhe faltar um dente, mas nunca lhe faltará um carro ou um jipe de marca para conduzir, a tia saloia e o tio saloio, quando viajam de férias para o estrangeiro, viajam sempre com outros casais, estes também muito bem sucedidos na vida, (parece que todos estes casais antes de viajar se a viajem for para países frios) foram todos á mesma loja comprar o kispo da mesma marca, mas em cores diferentes, geralmente dá a ideia. quem avista de longe, de ser uma equipa qualquer vinda do sul da Europa que vem esquiar (mas na Dinamarca não há montanhas) o tio saloio geralmente usa um "abájur" na cabeça, aqueles penteados grandes de cabelo vasto, que todos os homens de dinheiro e bem sucedidos na vida em Portugal tem que usar!
A tia saloia quando se pronuncia, expira e prolonga muito sempre as silabas, geralmente vogais, por exemplo se perguntar; "porquê?" fá-lo assim: "... e porquuuueeeee e e? ou seja expira a vogal sempre mais prolongada que outro ser qualquer...  deve está escrito algures que as pessoas muito inteligentes e importantes têm que prolongar as vogais....

O meu "tio saloio de Bordeaux", segundo ele, oriundo de famílias muito importantes e de brazao, mas já sem "chateau" e a contar moedas, quando se expressa também prolonga muito as vogais mas claro estas em francês,....

o tio saloio é de estatura pequena, nasceu já velho, 22 anos, quase meio calvo, olhos azuis quase mortos, tez branca, óculos, de aspeto "nurt" já a iniciar o quinto de medicina, aspeto aborrecido,
Hoje chegou a casa chateado, porque os Dinamarqueses não o perceberam quando fala Inglês, e ele que pensava que era "such an important person" suavemente, dei-lhe uma palmadinha nas costas e disse-lhe não te preocupes eu ou a minha filha podemos te ajudar, disse que sim num sorrisinho amarelo, de quem sorri em vez de me dizer....porque é que não vais á merda? e foi para o quarto!


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

amor

Amor

Sentada e estranha nesta tua ausência, habituada de ter te a ti aqui ao meu lado, ouvindo o teu sonhar perco- me na dimensão dos teus olhos vivos e cheios de tudo, o amor veio ter comigo, mas veio devagar, entrando assim em pulinhos minuciosos esperando uma aprovação....tu nunca me deixastes, sempre ficastes aqui há espera do meu amor, e eu já te amava sem querer saber se podia te amar ou não, tu querias- me tanto!. e eu que sou poeta sem querer e sem o ser, demorei a compreender que tu me querias. Já é tarde para voltar atrás e o tempo fugiu de nós amor! tu que sempre me pedistes para te escrever uma carta de amor, nunca o fiz, mas agora que tu já te fostes, estou segura em faze-lo!

Esguios e magros, dois corpos se tocam, o teu cabelo grisalho e vasto, feito de poeta sofrido, alivia-se nos teus olhos escuros de mouro sem castelo....já ganhastes tantas batalhas amor.... já perdestes tantas guerras amor, e eu queria tanto aquele teu amor de volta!

O amor se existe, é meta-fisico e físico, tão físico como os beijos que trocamos, como o amor que fizemos.....agora na palma da tua mão, nos teus dedos magros e esguios,  entrelaçados, discretamente nos meus, encontrei o suor que se juntou ao meu,  e assim ficamos parados empreganhados para sempre um no outro....

Mas a cidade era grande! grande como uma casa de janelas abertas para o céu. Sabes que as estradas que percorremos já se gastaram? delas ficaram só as pegadas desenhadas em passos pequenos e só porque o vento deixou! por isso te peco amor, mostraste -me outra vez a cidade que eu não conhecia, mostra-me o doce timbre da tua voz porque eu quero acreditar outra vez...

A paixão deu lugar ao amor, foi-se embora singela e discreta, assim quase como quando entrou, Fechei a porta e a janela, e quis ficar aqui sentada esperando... estranho, discreto, seguro, quase aborrecido!

Deitei me assim a seu lado sem o querer perturbar! sem o querer acordar! senti-me só! ele estava lá, olhava-me! mas nós éramos estranhos, quase como dois inimigos...
o silencio da neve acalmou-nos, levou-nos ao branco e á dimensão da magia das coisas quase estáticas, que só se mexem quando nos queremos, e ai amor seremos felizes!

Sabes que as pegadas que outrora foram levadas pelo vento, reapareceram de novo? a neve, essa.... continuou a cair...mas desta vez muito mais devagar....